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Diana Farah: violino, orquestra e vida musical

Podcast Violino Didático

Diana Farah chegou ao estúdio do Violino Didático vinda do Butantã, em São Paulo. Jean de Oliveira a recebeu com um título que diz muito: talvez a violinista mais maromba que já passou pelo podcast. E a conversa que se seguiu confirmou esse status, com muito humor, franqueza e insights valiosos sobre a vida profissional na música.

Violinista atuante em diferentes frentes, Diana integra a Orquestra Sinfônica de Santos e a Orquestra Filarmônica Paulista. Além disso, ela acaba de assumir um novo desafio: a cadeira de professora de violino na graduação da FMU, na Vila Mariana. Quatro anos de formação, muita técnica e muita responsabilidade.

Como surgiu a oportunidade na universidade

A chegada de Diana à FMU não foi por candidatura espontânea. Seu nome foi indicado por colegas que conheciam seu trabalho. Ela mesma conta que a cadeira passou por uma rotatividade de professores antes de se estabilizar. Quem ocupava o posto antes era Renata Jafé, sua própria professora de violino.

Quando a instituição buscava um novo nome, Diana já tinha o mestrado e a experiência necessária. O processo seletivo aconteceu, mas a porta se abriu porque outras pessoas confiaram nela e disseram isso em voz alta. Para Jean, esse é o maior indicador de sucesso profissional: não é só o que você toca, é quem fala bem de você.

Relações importam mais do que você imagina

Esse tema tomou um bom espaço na conversa. Diana e Jean concordam: a técnica é indispensável, mas é a menor parte do que define uma carreira musical. Ser pontual, respeitar colegas, cumprir compromissos e manter boas relações vale muito mais a longo prazo.

Diana lembrou de colegas com quem dividia cachês em casamentos anos atrás. Hoje, alguns deles tocam na OSESP, no Teatro Municipal de São Paulo, em orquestras na Suíça. Você nunca sabe onde a pessoa ao seu lado vai chegar. Por isso, tratar bem quem está perto, independente do contexto, não é estratégia: é respeito.

Ela também fez uma distinção importante: há colegas de trabalho e há amigos. Confundir os dois cria expectativas erradas e muito desgaste. Saber diferenciar esses vínculos, especialmente no ambiente de orquestra, torna tudo mais leve.

O peso de automatizar o sonho

Um dos momentos mais honestos da conversa veio quando Diana falou sobre a preguiça de ir para os ensaios. Ela ama estar dentro de uma orquestra. Mas ir até lá, às vezes, pesa. Jean logo lembrando: você tem o emprego dos sonhos.

Ela reconhece que quem não tem posição fixa em orquestra valoriza cada chamado de forma diferente. Mas quem está há anos no mesmo grupo, com as mesmas pessoas, no mesmo horário, começa a tratar aquilo como rotina comum. A automatização é quase inevitável, e acontece em qualquer área.

Diana comparou com a irmã enfermeira, que trabalha em hospitais de referência em São Paulo. Os problemas existem, são reais e pesam. Mas quando um músico reclama que não fecharam a estante corretamente, a perspectiva muda bastante.

Empatia com quem organiza

Outro ponto que Diana destacou foi o quanto a perspectiva muda quando você passa para o lado de quem organiza. Montar um grupo, fazer orçamento, ligar para músicos, embalar equipamento: é muito trabalho. Quem já organizou algo assim dificilmente reclama do mesmo jeito depois.

É como morar sozinho pela primeira vez e perceber que cozinhar dá trabalho. Antes, a comida simplesmente aparecia na mesa. A orquestra funciona de forma parecida: tem muita gente resolvendo muita coisa para que o ensaio aconteça. O arquivista sozinho já cuida de material para dezenas de pessoas.

Essa consciência, segundo Diana, não resolve tudo. Ela mesma admite que ainda trabalha essa empatia todos os dias. Mas reconhecer o esforço alheio já transforma o ambiente.

Vida fora do violino é parte do estudo

Diana trouxe um conselho que ouviu do próprio professor de violino, Davi Graton: como está sua vida social? A pergunta pode parecer estranha vindo de um professor de instrumento. Mas faz todo sentido.

Ela repete isso para seus alunos: não passem o tempo inteiro só estudando violino. O cérebro intoxica. É preciso sair, conversar, praticar esporte, se divertir. Especialmente a partir dos 30 anos, cuidar do corpo e da cabeça faz diferença direta no desempenho musical.

Essa visão integrada do músico como ser humano completo, e não só como praticante de instrumento, é algo que aparece com força na fala de Diana. E combina muito com a mensagem central do Violino Didático: tocar violino é para todo mundo, e todo mundo precisa de equilíbrio para avançar.

Uma conversa que vai além do instrumento

A Diana Farah que chegou ao podcast é violinista, professora universitária, músico de orquestra e, acima de tudo, uma profissional que pensa sobre sua própria trajetória com maturidade e bom humor. A conversa com Jean percorreu desde o trânsito de São Paulo até os bastidores das orquestras, passando por relações humanas, docência e autocuidado.

É o tipo de papo que lembra que a música é feita por pessoas. E que cuidar das relações, do ambiente e de si mesmo é tão importante quanto afinar o instrumento.

Ouça o episódio completo no YouTube: DIANA FARAH - Podcast do Violino Didático #092

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